Nove dias depois de anunciar a lista de convocadas para o Campeonato Sul-Americano, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) confirmou nesta quinta-feira (23) uma mudança no comando da seleção brasileira feminina. A treinadora norte-americana Pokey Chatman deixa o cargo após pouco mais de um ano e meio de trabalho.
Para a vaga, a entidade escolheu Léo Figueiró, que já fazia parte da comissão técnica da equipe adulta como assistente. Em janeiro, ele também assumiu a coordenação técnica das categorias de base do basquete feminino no país. Aos 51 anos, o treinador agora passa a comandar a equipe principal em uma temporada com torneio classificatório no calendário.
Mudança no comando da seleção brasileira feminina
A troca ocorre às vésperas do Campeonato Sul-Americano feminino, que serve de porta de entrada para a AmeriCupW — a Copa América do basquete feminino. O torneio continental terá início em 3 de agosto, na cidade de Zárate, na Argentina.
Com a saída de Pokey Chatman, a CBB aposta em um nome que já acompanhava o grupo e que vinha atuando diretamente no desenvolvimento das jogadoras mais jovens. A avaliação interna é de continuidade operacional, já que Figueiró conhece o ambiente da seleção e participou de campanhas recentes ao lado da treinadora norte-americana.
Quem é Léo Figueiró: trajetória e conquistas
Apesar de agora assumir o principal time feminino do Brasil, Léo Figueiró se consolidou no cenário nacional principalmente no basquete masculino. Ele comandou equipes tradicionais, como Botafogo e Vasco, acumulando resultados expressivos em competições regionais e nacionais.
No Botafogo, Figueiró conquistou a Liga Sul-Americana de 2019, título que marcou sua passagem pelo clube e elevou seu perfil como técnico. Já no Vasco, liderou o time a campanhas que garantiram presença na Copa Super 8 — torneio que reúne as oito melhores equipes do primeiro turno do Novo Basquete Brasil (NBB) — nas temporadas 2023/24 e 2024/25. As boas campanhas também asseguraram ao clube vaga no Campeonato Sul-Americano.
No trabalho com seleções, o treinador esteve no staff da equipe feminina adulta e participou da conquista da medalha de prata na Fiba AmeriCupW, no ano passado, ao lado de Pokey Chatman. No mesmo período, também comemorou um título com a seleção masculina Sub-21 no Campeonato Sul-Americano.
Declaração do novo técnico e experiência em comissões
Ao ser anunciado como treinador principal, Figueiró destacou o peso do cargo e a motivação para dar sequência ao que vinha sendo construído. Segundo ele, a proximidade com as categorias de base ajudou a ampliar o conhecimento sobre o cenário do basquete feminino brasileiro, as atletas disponíveis e as dificuldades do processo.
Além do histórico recente com o time feminino, Figueiró também tem experiência em outras comissões técnicas da seleção brasileira. Ele integrou a equipe masculina que trabalhou com o croata Aleksandar Petrovic durante o Pré-Olímpico de 2021, ampliando o repertório em ambientes de alta pressão e competições decisivas.
Estreia no Sul-Americano: grupos, formato e vagas
O primeiro compromisso de Léo Figueiró como treinador da seleção brasileira feminina será o Campeonato Sul-Americano, a partir de 3 de agosto, em Zárate. A competição é classificatória para a AmeriCupW de 2027, que está prevista para ocorrer em El Salvador.
O Brasil foi colocado no Grupo B, ao lado de Venezuela e Chile. O Grupo A reúne Argentina, Colômbia, Paraguai e Uruguai.
Na fase inicial, as seleções jogam entre si dentro de cada chave. O líder de cada grupo avança diretamente para a semifinal, enquanto o segundo e o terceiro colocados disputam um playoff valendo vaga na próxima etapa.
Ao fim do torneio, estarão em jogo quatro vagas para a AmeriCupW de 2027. Com isso, além do título sul-americano, a competição ganha peso estratégico para o planejamento de longo prazo do basquete feminino brasileiro.
O que muda para a seleção antes do torneio
Com pouco tempo até a estreia na Argentina, a principal expectativa é de ajuste rápido na condução do grupo e no plano de jogo. Por já estar inserido na rotina da seleção e trabalhar diretamente com atletas em diferentes níveis — base e adulto —, Figueiró chega com a vantagem de conhecer nomes, contexto e necessidades do elenco.
A agenda competitiva, no entanto, coloca pressão imediata: o Sul-Americano define caminhos para a AmeriCupW e, consequentemente, influencia o ciclo internacional da equipe. A CBB, ao optar por uma mudança tão próxima do torneio, sinaliza que pretende uma resposta rápida dentro de quadra e uma transição sem ruptura na preparação.