Impostos e arrecadação

Economia

Carga tributária do Brasil chega a 32,4% do PIB em 2025, diz Tesouro

O indicador mede a proporção de tributos arrecadados pelas três esferas de governo (União, estados e municípios) em relação ao tamanho da economia

A carga tributária bruta do Brasil alcançou 32,4% do PIB em 2025 e somou R$ 4,12 trilhões, de acordo com números divulgados pelo Tesouro Nacional nesta sexta-feira (10). O patamar é o mais elevado da série histórica iniciada em 2010 e representa um avanço de 0,18 ponto percentual em comparação com 2024.

O indicador, apresentado no Boletim de Estimativa da Carga Tributária Bruta do Governo Geral, calcula quanto os tributos arrecadados por União, estados e municípios equivalem ao tamanho da economia. Na prática, aponta a fatia do PIB absorvida por impostos, contribuições e taxas.

Recorde desde 2010 e aumento em relação a 2024

O Tesouro informou que a elevação observada em 2025 consolidou o maior nível de carga tributária desde o início da série, em 2010. Em termos proporcionais, o avanço foi relativamente moderado, mas suficiente para estabelecer um novo topo histórico.

A leitura do órgão é que o movimento reflete mudanças no comportamento de arrecadação ao longo do ano, combinando evolução do mercado de trabalho, variações na tributação de operações financeiras e desempenho desigual entre as três esferas de governo.

Governo federal lidera a alta, com impulso do IRRF

O principal motor do aumento veio da esfera federal. Segundo o boletim, a carga ligada ao governo central cresceu 0,26 ponto percentual do PIB em 2025.

Entre os fatores que explicam essa contribuição, o destaque foi a maior arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), que avançou 0,23 ponto percentual do PIB. Esse tributo é descontado diretamente em pagamentos como salários, serviços e outras rendas sujeitas à retenção.

Outro componente relevante foi o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), com aumento de 0,10 ponto percentual do PIB. O Tesouro associou esse resultado tanto ao crescimento de operações de câmbio e crédito quanto à elevação de alíquotas.

As contribuições previdenciárias ao RGPS também ajudaram a elevar a carga, com acréscimo de 0,12 ponto percentual. De acordo com o relatório, o avanço acompanha a reoneração gradual da folha de pagamentos e a expansão do emprego formal.

Municípios sobem com ISS e tributos sobre propriedade

Na esfera municipal, o Tesouro apontou contribuição positiva, ainda que menor: alta de 0,03 ponto percentual do PIB em 2025.

O movimento foi puxado principalmente pelo ISS (Imposto Sobre Serviços), que subiu 0,02 ponto percentual, em linha com a expansão do setor de serviços.

Além disso, impostos sobre patrimônio, como o IPTU, também colaboraram para o resultado, embora com impacto mais limitado na comparação com o ISS.

Estados registram queda, com recuo do ICMS em proporção ao PIB

Ao contrário da União e dos municípios, os governos estaduais apresentaram redução na carga, de 0,10 ponto percentual do PIB.

O Tesouro atribuiu esse desempenho à arrecadação que cresceu menos do que a economia, com destaque para a retração de 0,09 ponto percentual do PIB no ICMS. Mesmo com aumento nominal das receitas, o imposto perdeu participação quando medido como fatia do PIB.

Composição da carga tributária muda pouco em 2025

Apesar do recorde, a estrutura da arrecadação permaneceu relativamente estável no ano, segundo o Tesouro. Os tributos sobre bens e serviços seguiram como a principal fonte, embora tenham caído levemente em relação ao PIB, de 13,87% para 13,78%.

Já os tributos sobre renda, lucros e ganhos de capital aumentaram sua participação, passando de 9,04% para 9,16% do PIB, refletindo, principalmente, o desempenho do IRRF no resultado federal.

No grupo das contribuições sociais, as destinadas ao RGPS avançaram de 5,28% para 5,40% do PIB, acompanhando a dinâmica do mercado de trabalho e a reoneração da folha. Já as contribuições para regimes próprios de previdência ficaram praticamente estáveis, segundo o boletim.

Brasil fica próximo de países ricos e abaixo da média da OCDE

O Tesouro também observou que, mesmo com a elevação recente, o nível de tributação brasileiro continua próximo ao verificado em economias desenvolvidas. Em termos comparativos, o país permanece ligeiramente abaixo da média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que gira em torno de 34% do PIB.

As informações constam no boletim do Tesouro Nacional, com dados reportados por Márcia Magalhães, da Folhapress.