Moradores do Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, passam a contar a partir desta quarta-feira (22) com uma nova oportunidade de formação em audiovisual. O projeto Curta Periferias abre uma turma voltada para a produção de filmes usando o celular como principal ferramenta, com foco em narrativas do cotidiano da periferia.
A iniciativa tem como objetivo fortalecer o audiovisual independente e ampliar a presença de histórias das favelas nas telas, com uma abordagem que busca reduzir estigmas e valorizar a criatividade local.
Projeto reúne órgãos públicos e instituições do território
O Curta Periferias é uma ação realizada pela Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio, pela RioFilme, pela Universidade Internacional das Periferias (Uniperiferias), pelo Bela Maré e pelo Observatório de Favelas.
Nesta edição, o programa passa a contar também com uma parceria considerada estratégica: a Firjan SESI. A chegada da instituição amplia o alcance do projeto ao incorporar a experiência do Cine SESI, desenvolvido em escolas com base em cineclubismo e produção audiovisual estudantil.
Formação ensina do básico ao curta-metragem com o celular
O curso foi estruturado para atender moradores que desejam iniciar ou aprimorar conhecimentos na criação audiovisual com recursos acessíveis. A proposta é percorrer etapas essenciais de produção, combinando fundamentos teóricos e exercícios práticos.
Entre os conteúdos previstos estão: introdução ao audiovisual, noções sobre funções e etapas de um projeto, construção de roteiro, técnicas de captação com celular e edição de vídeo utilizando ferramentas gratuitas.
Ao longo da formação, os participantes serão orientados a desenvolver um curta-metragem, compreendendo como planejar, filmar e finalizar um produto audiovisual com qualidade, mesmo sem equipamentos profissionais.
Parceria com Firjan SESI reforça eixo educacional
Com a entrada da Firjan SESI, o Curta Periferias passa a dialogar de forma ainda mais direta com práticas de formação audiovisual voltadas para estudantes e jovens produtores de conteúdo. A parceria agrega a metodologia do Cine SESI, que trabalha o cinema como ferramenta de educação, expressão e participação cultural.
Segundo a proposta apresentada pelas instituições, o foco é estimular olhar crítico, criatividade e protagonismo juvenil, além de criar caminhos para fortalecer a indústria criativa dentro do próprio território.
Iniciativa mira inovação, economia criativa e visibilidade
Representantes das instituições parceiras destacam o audiovisual como ferramenta de tecnologia e desenvolvimento local. A estratégia, de acordo com a organização do projeto, é conectar produção cultural, inovação e economia criativa para gerar oportunidades e autonomia nas comunidades.
Na avaliação da Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, a iniciativa se integra às ações das Navezinhas instaladas em favelas, com a intenção de formar ecossistemas de inovação e ampliar a capacidade dos moradores de produzir e circular suas próprias histórias.
Já a RioFilme ressalta que, no cenário atual, celular, câmera, edição e redes sociais fazem parte de um mesmo ambiente de produção e distribuição. A expectativa é que a formação contribua para que os territórios não sejam apenas consumidores dessas ferramentas, mas também produtores qualificados, com potencial de geração de renda, empreendedorismo e inserção no mercado.
Quem pode se inscrever e quais são as datas
O Curta Periferias na Maré é destinado a moradores do território com idade entre 15 e 35 anos.
As inscrições ficam abertas de 22 a 28 de julho. O cadastro deve ser feito por meio de um formulário online, disponibilizado pelo projeto, e o edital poderá ser consultado em endereço eletrônico indicado pela organização.
Como se inscrever presencialmente na Navezinha Carioca
Quem preferir pode realizar a inscrição presencialmente. A orientação é procurar a sede da Navezinha Carioca da Maré, onde será possível imprimir o formulário e preenchê-lo no local.
O endereço informado é: Rua Sargento Silva Nunes, 608, sala 43, Shopping Win.
Com a formação, o Curta Periferias aposta na produção audiovisual feita a partir do território, usando o celular como instrumento de criação e circulação de histórias que retratem a vida na favela sob a perspectiva de quem vive nela.