O influenciador Carlinhos Maia se pronunciou nesta segunda-feira (13) sobre a multa de R$ 1 milhão aplicada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em Fernando de Noronha (PE). A autuação está ligada à gravação de um vídeo em que um grupo de amigos aparece alimentando uma gaivota com camarão, conduta proibida por regras ambientais.
O ICMBio informou que classificou o episódio como “exploração de imagens envolvendo animais silvestres em situação de abuso” dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do arquipélago. O órgão também afirmou que o valor foi calculado levando em conta a gravidade do caso, a relevância ambiental de Noronha e a grande disseminação do conteúdo nas redes sociais.
Influenciador chama valor de desproporcional
Nas redes sociais, Carlinhos Maia afirmou que recebeu a penalidade com indignação. Em uma sequência de publicações, ele disse estar surpreso com o montante e considerou a decisão “arbitrária”, alegando que a punição não seria compatível com o ocorrido.
O influenciador também declarou que, segundo o que lhe foi apresentado, a multa teria relação com o uso comercial da imagem do animal. Ele afirmou que aceita ser responsabilizado, mas defendeu que a sanção deveria ser menor e compatível com o tipo de infração.
Carlinhos diz que vai contestar a autuação na Justiça
Carlinhos Maia afirmou ainda que pretende contestar o auto de infração. Para ele, a medida seria um “abuso de poder” e, por isso, a defesa teria acionado a Justiça para questionar a penalidade.
Em sua manifestação, o influenciador disse que espera reverter o valor ou obter uma revisão do caso. Ele também afirmou que considera o episódio um dos maiores exageros que já viu, caso o montante seja mantido.
Comparação com outros casos de multa em Noronha
Ao explicar por que considera o valor excessivo, Carlinhos Maia citou situações que, segundo ele, teriam recebido punições menores pelo mesmo tipo de irregularidade. O influenciador comparou uma autuação de R$ 5 mil atribuída a quem teria alimentado a ave com a multa de R$ 1 milhão aplicada a ele por ter publicado o conteúdo.
Na avaliação do alagoano, haveria desequilíbrio entre as penalidades. Ele sustentou que quem ofereceu a comida teria praticado a infração diretamente, enquanto ele teria apenas registrado a cena em um story.
O que aconteceu: vídeo com gaivota e camarão
O episódio ocorreu em outubro do ano passado, quando Carlinhos Maia gravou um momento em que integrantes do grupo de amigos alimentavam uma gaivota com camarão. Em áreas protegidas, como Fernando de Noronha, a interação inadequada com animais silvestres é alvo de restrições para evitar impactos à fauna.
Autoridades ambientais costumam alertar que oferecer comida pode alterar hábitos naturais, aumentar a dependência de humanos e criar riscos tanto para os animais quanto para visitantes. Em ilhas e ecossistemas sensíveis, esse tipo de interferência é visto como especialmente preocupante.
Por que o ICMBio fixou a multa em R$ 1 milhão
Em nota sobre o caso, o ICMBio disse que enquadrou a conduta como infração ambiental por envolver a divulgação de imagens com animal silvestre em situação considerada de abuso na APA de Fernando de Noronha. O instituto ressaltou que a multa não foi definida apenas pelo ato em si, mas também pelo contexto e pela repercussão.
De acordo com o órgão, a grande visibilidade do influenciador e a rápida circulação do vídeo nas redes aumentariam o potencial de estimular comportamentos semelhantes, o que justificaria o valor elevado. O ICMBio citou três critérios para a dosimetria: gravidade da infração, importância ambiental da área protegida e amplitude de disseminação do conteúdo.
O caso reacende o debate sobre responsabilidade de criadores de conteúdo em locais ambientalmente sensíveis e sobre como o alcance nas redes pode ser considerado na aplicação de sanções administrativas.